Monumentos

Freguesia de Santa Maria, São Pedro e Sobral da Lagoa



Castelo e Pousada do Castelo

Pensa-se que o Castelo de Óbidos integrava uma rede de castros (Assenta e Santo Antão), funcionando como local de defesa e de refúgio, em caso de ataque, da maior parte da população que vivia nas suas imediações.

O Castelo situa-se no cume de um monte escarpado, a cerca de oitenta metros de altitude, sobranceiro ao Rio Arnóia. A sua localização aumentava as condições de defesa e algumas das cercas das muralhas eram mesmo rochas naturais.

Depois das conquistas de Santarém e de Lisboa, D. Afonso Henriques preocupou-se com a reconstrução do Castelo de Óbidos e com a “purificação” do templo maometano, dado que, de acordo com o professor Carlos Orlando Rodrigues, “naquele tempo o conceito de Território Cristão e o de Fé constituíam, na realidade, um todo indivisível”.

D. Sancho I ordenou a construção da torre albarrã do Castelo e, entre os séculos XII e XVII, a importância geográfica de Óbidos originou várias remodelações nesta fortaleza. Assim, no reinado de D. Dinis, foram realizadas obras de ampliação, aperfeiçoamento e reforço das muralhas, tendo-se construído, igualmente, uma nova torre que, ainda hoje, conserva o seu nome. No ano de 1375, foi erigida a Torre de Menagem, designada de Torre de D. Fernando.

O Célebre cronista Fernão Lopes deu a conhecer, na Crónica de D. Fernando, um testemunho importante sobre a conclusão do perímetro muralhado de Óbidos.

No início, o Castelo de Óbidos detinha, apenas, duas portas: uma abria para a povoação, enquanto que a outra abria para o terreno exterior. Atualmente, o acesso ao recinto muralhado é feito através de quatro portas (Porta da Vila, Porta da Talhada ou da Rainha, Porta da Cerca e Porta do Vale ou de Nossa Senhora da Graça) e de dois postigos (Postigo do Poço ou do Arrabalde, Postigo do Jogo da Bola).

No reinado de D. Manuel I, prosseguiram os melhoramentos na fortaleza e foi construído um Paço, mas o terramoto de 1755 provocou graves danos em toda a estrutura do perímetro muralhado da Vila de Óbidos. Entre essa data e o final da Segunda Guerra Mundial, o estado do Castelo não sofreu alterações, até que a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, do Ministério das Obras Públicas, a partir de 1947/48, decidiu empreender obras de restauro da fortaleza. De acordo com o professor Carlos Orlando Rodrigues, as obras de reordenamento arquitectónico do Castelo estavam concluídas em 1950. Alguns anos mais tarde, em 1962, a mesma Direcção Geral levou a cabo obras importantes de reparação da muralha, tendo sido apeado um segundo segmento entre o Postigo de Baixo e o ângulo pronunciado que se encontra a nascente da mesma linha. Mais recentemente, no ano de 2000, foi efetuado o restauro no Oratório de Nossa Senhora da Graça, situado na Porta do Vale. Outra das áreas de intervenção está relacionada com o aproveitamento e a requalificação da Cerca do Castelo.

Segundo a opinião do professor Carlos Orlando Rodrigues “Esta obra, dividida em várias fases, constitui apesar de tudo uma série de operações não isentas de alguma polémica, havendo vozes que reconhecem como válido o aproveitamento da referida cerca, outras, porém têm sustentado que os resultados estéticos não são satisfatórios num sentido global e a relação de investimento-funcionalidade é bastante deficiente”.

No ano 2000, ficaram concluídos os trabalhos de construção de dois anfiteatros, e no ano de 2001 a segunda fase dos trabalhos que consistiram em intervenções na zona de “Jogo da Bola”, na Capela de São João do Mocharro (Nossa Senhora do Carmo), construção de escadarias, de percursos pedonais, a instalação de um pequeno café, a construção de um passadiço entre as muralhas poente e nascente, a criação de um acesso pedonal pelo caminho tratado entre a Estação de Caminhos de Ferro e a entrada da Cerca, assim como a construção de um pequeno parque de estacionamento perto do Rio Arnóia.

De salientar que o Paço do Castelo de Óbidos foi recuperado para aí ser instalada uma Pousada, aquela que é considerada a primeira Pousada do Estado num edifício histórico.

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