Monumentos

Freguesia de Santa Maria, São Pedro e Sobral da Lagoa


Ermida de Santo Antão

A noroeste da Vila coroando formoso outeiro que frondosas matas envolvem, foi mandada construir, em cumprimento de um voto, por D. Antão Vaz Moniz, fidalgo obidense e um dos combatentes da ala dos namorados em Aljubarrota.

O interior é de uma só nave, coberta de tecto de madeira de três planos, decorada com um revestimento de azulejos azuis e brancos do século XVIII, que representam cenas da vida do padroeiro.

Na parte central inclui-se ao centro, entre colunas clássicas, um nicho que abrigava uma escultura em madeira do orago, obra do século XVII e lateralmente duas pinturas sobre madeira alusivas a Santo Antão no deserto. Santo Antão pregando o evangelho e Santo Antão e S. Paulo eremitas.

No frontão, na parte superior, três tábuas pintadas, representando a do centro a Anunciação, ladeada por dois painéis representando S. Francisco de Assis e Santo António. Na predela do retábulo existem mais cinto tábuas, representando S. João Evangelista, Santo Amaro e Santo Antão, S. Jerónimo e S. Brás e S. João Baptista. Ao centro, em predela maior uma inscrição latina, referente à consagração. Os painéis deste altar-mór são atribuídos a Belchior de Matos.
No altar colateral do lado esquerdo, admira-se uma escultura de pedra, quinhentista, figurando S. Sebastião.

O pequeno templo foi restaurado no século XVIII.

Na época da crise dinástica de 1383/1385, o reino de Portugal esteve ocupado pelos castelhanos, tendo sido o Mestre de Avis, futuro D. João I, o líder da revolta lusitana. Com a Batalha de Aljubarrota, as praças portuguesas em poder de Castela começaram a cair. Assim, depois do porto de Atouguia ter sido abandonado pelos castelhanos, os obidenses entregaram-se ao Mestre de Avis, que organizou militarmente o território, com o intuito de defender melhor o reino.

Um dos combatentes da Ala dos Namorados, designação dada, de acordo com o professor Carlos Orlando Rodrigues, “ao lado direito do quadrante, mais exatamente à vanguarda virada para Leiria, que os portugueses formaram como tática de combate na Batalha de Aljubarrota” foi D. Antão Vaz Moniz, fidalgo de Óbidos e cavaleiro a pé. Depois da vitória na referida batalha, D. Antão, em 1386, mandou edificar uma capelinha em honra do santo do mesmo nome. Essa ermida foi construída no cimo de um monte, a norte da vila, de onde se obtém uma vista panorâmica deslumbrante. D. Antão passou aí os últimos anos da sua vida, enquanto asceta, tendo pedido para ser sepultado no interior da capela, sem qualquer tipo de inscrição.

Estes acontecimentos históricos originaram a famosa romaria de Santo Antão, que se realiza nesta freguesia, a 17 de Janeiro. A ermida situa-se num local de difícil acesso, mas de grande importância agro-pecuária, tendo o porco um papel relevante.

Santo Antão é invocado em caso de doença de algum animal ou no caso de se ambicionar uma boa ninhada. Antigamente as promessas cumpriam-se com a oferta de linguiças ao Santo, mas, atualmente, os chouriços são pesados e os crentes oferecem o valor monetário correspondente, reservando os enchidos para a merenda.

Outra das características desta romaria está relacionada com a distribuição pelos devotos de fitas cor-de-rosa e de velas que, depois de benzidas, são colocadas ao pescoço dos animais (as fitas) e guardadas para serem acesas nos estábulos (velas), no caso de a doença visitar os moradores.

A romaria de Santo Antão, nos dias de hoje, continua a ser um alegre e saudável convívio entre pessoas, mantendo-se, por isso, bem vivo o espírito de reencontro anual. Para acompanhar a confraternização, é típico o saboroso chouriço assado e o bom vinho da região.

Esta romaria é uma das mais importantes do concelho e do distrito, uma vez que atrai, pela fé e pelo delicioso manjar, uma grande quantidade de romeiros.

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